Uma tradição que atravessou séculos de violência simbólica e material não sobrevive apenas pela repetição de ritos. Sustenta-se porque inscreve no corpo uma forma própria de organizar a experiência, de regular o afeto e de dar sentido ao sofrimento. O que aqui se propõe é tomar essa inscrição com a seriedade clínica que ela exige. O
encontro entre Orixás e sistema nervoso não nasce de um desejo de equivalência simplificadora, mas da necessidade de compreender como o sagrado opera no tecido vivo da subjetividade.
Uma leitura pela Psicanálise do Axé exige deslocamento. Exige abandonar a tentação de reduzir os Orixás a rquétipos universais descontextualizados, assim como recusar a captura biologizante que transforma o sistema nervoso em explicação total da vida psíquica. Entre essas duas margens, ergue-se um campo de investigação onde o corpo é reconhecido como território simbólico, histórico e ancestral. O sistema nervoso deixa de ser apenas estrutura anatômica e passa a ser entendido como lugar de inscrição do laço, da memória e do trauma.
Uma tradição afro-brasileira nunca operou fora do corpo. O canto, o toque, a dança, o silêncio ritual, a
incorporação e o transe modulam respiração, ritmo cardíaco, tensão muscular e estados de consciência. Essa modulação não é acidental. Ela constitui uma pedagogia nervosa do pertencimento. Cada Orixá organiza um modo
específico de sentir, reagir, conter, descarregar ou elaborar a excitação.
| ISBN | 9786597868827 |
| Número de páginas | 198 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Tipo de papel | Offset 75g |
| Idioma | Português |
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