Eu não escrevi este livro para contar uma história.
Escrevi porque sobrou coisa demais depois que você foi. Sobrou silêncio, sobrou nome, sobrou essa ausência que ocupa mais espaço do que qualquer presença. Escrevi porque fingir que passou já não funcionava. Este diário não fala de finais. Fala do meio. Do intervalo mal resolvido entre o que quase foi e o que nunca chegou a ser. Das despedidas que chamamos de pausa para não admitir a perda. Dos dias em que a memória volta sem pedir licença e senta ao meu lado como se tivesse direito. Eu não sigo linha reta aqui. Volto, repito, tropeço. Algumas dores não aprendem a ir embora de primeira. Às vezes escrevo em prosa, às vezes em verso, às vezes só em pensamento, porque quando a saudade aperta, a forma pouco importa. O que importa é não engolir tudo em silêncio.
Se me chamo tonto, não é por ingenuidade. É por sentir demais, por amar mesmo sabendo o preço, por continuar quando o lógico seria parar. Escrevo para não gritar, para não esquecer, para não desaparecer dentro da espera que inventei pra mim.
Há ironia, há carência, há lucidez tardia, dessas que chegam quando o estrago já foi feito. Há rima com dor, com temor, com esse amor que não volta, mas também não morre.
Se você abrir este livro, talvez não encontre respostas.
Mas pode se encontrar.
Porque, no fundo, este diário é só isso: alguém tentando sobreviver ao que ficou.
| Número de páginas | 336 |
| Edição | 2 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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