Jornal Quinzenal ou +
Código do livro: 352935
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Crítica Literária, Literatura Nacional
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Sinopse

Nós, humanos, somos fascinados pelos porquês. Assim somos desde crianças. Neste início, faço uma espécie de apresentação do autor, embora sabendo que Ozildo Batista de Barros não precise dela, pois é um picoense de quatro costados. Mas, tal como eu, que escrevi uma obra sobre a história de Picos até os anos 1960, ele agora no seu “Jornal Quinzenal”, sem a intenção de fazê-lo, escreveu a nova história de Picos. O autor deste “Jornal Quinzenal” e eu nos encontramos em Teresina, justamente nos anos 1970, do século XX. Ele como comerciante (tinha uma firma de prestação de serviços); eu, como bancário do Banco do Brasil. Mas o que fez a nossa aproximação e perseverança dos encontros foi o fato de sermos picoenses e ambos também dados às letras, poetas para valer. Como eu editava a “Revista Cirandinha”, convidei-o para participar da publicação. Daí engrossou nossa amizade, que vai até hoje e espero que prossiga muito tempo, muito além deste prefácio. E, lendo-o agora, vejo que seu “Jornal Quinzenal” contém dados imensuráveis, guardados por Ozildo nos inúmeros recortes de jornais do seu tempo, sobre uma das mais significativas e progressistas cidades do Piauí, a qual capitaliza toda uma região rica e próspera onde o autor sempre militou, quer na cultura, quer na política, quer na vida social.

Quando recebi seu convite para prefaciar este “Jornal Quinzenal”, fiquei orgulhoso de vê-lo, mais uma vez, com mais uma obra de talento, tão necessária quanto surpreendente. Picoense do Baixio das Abóboras, homem que não tem medo de dizer a verdade, “doa ela a quem doer” – desculpem-me o lugar comum – ele faz o que diz e diz como fazê-lo, de repente e sempre muito bem feito. Prova é a matéria incluída neste jornal que se torna livro: artigos, contos, crônicas, poesias, notícias de um passado não muito distante e que continua. É como que se retornasse tal como sua crônica sobre a censura. Neste ponto, não há como não me lembrar de que, ainda recentemente, um artigo meu foi censurado por jornal onde sempre colaborei desde os meus tempos da universidade.

Assim, li o “Jornal Quinzenal” de cabo a rabo. E nele não há nada que se diga que não é verdadeiro, necessário e urgente. Veio em boa hora. Certamente terá muito sucesso de leitura e crítica. E isto é para que os picoenses e outros leitores de além da região se lembrem e se conscientizem de que é preciso abrir os olhos e moverem-se para o trabalho de recuperação do tempo perdido, assumindo a visão diária das verdades aqui expostas. Contesto os que dizem que não se aprende nada com a história. Eu continuo pensando o contrário: A história ensina muito, desde que seja lida e bem lida. E tudo o que passou é história, desde que registrado e bem registrado como este “Jornal Quinzenal”.

Poeta de grande valor desde o princípio, mais ou menos filiado ao concretismo “moderno” e livre de incongruências, porque valoriza especialmente a palavra, dei-lhe o prefácio ao seu livro “Etc & Tal”, um prefácio interessante para um senhor livro, que veio para ficar. O poeta e o livro.

Agora, seu “Jornal Quinzenal”, que deve agradar a muitas pessoas que fizeram culturalmente aquele tempo em Picos, como o autor Ozildo Batista de Barros e o poeta Gilson Chagas, e outros como é o caso de Jonas Luz, derrubando as barreiras do atraso e da repressão, eis que ficou demonstrado pelo jornal mimeografado “Voz do Campus”, a partir do nº 0l, de 08-12-1972, movimentando-se quase sem liberdade de pensamento, mas guardando os fatos e intercalando-os com poemas e dados históricos e campanhas, debaixo da organização Campus Avançado de Picos da UFGO (Universidade Federal de Goiás). Sem falar que ele (“Voz do Campus”) deu início à chamada “literatura do mimeógrafo”, na região, neste sentido, acompanhando Paranaíba, onde ela primeiro surgiu no Piauí. A chegada desse órgão em Picos foi um avanço muito grande, apesar dos osbstáculos. Obstáculos estes enfrentados pelos estudantes picoenses daquela época. Ali, digamos assim, nascia o poeta e político Ozildo Batista de Barros, que, num futuro não muito distante, se tornaria advogado, diga-se de passagem, um dos melhores da Região de Picos, quiçá do Piauí.

Ozildo Batista de Barros, com seus projetos que pareciam mirabolantes para aqueles que estavam acostumados a jogar os problemas do município para debaixo do tapete do esquecimento, escrevia, fazia discursos, com sacrifício foi eleito vereador da cidade e, por descuido “deles”, chegou a presidir a Câmara de Vereadores. Mas não era somente isto que Ozildo fazia. Sua ação como escritor se estendia à impressa, principalmente a de Picos, mas ocorrendo em jornais de mais longo alcance, existentes em Teresina. Escrevia panfletos, publicava livros, falava e mais falava bem, por que é bom de discurso. Sua voz vibrou longe. Praticamente sem sair da terra, pois deve ter residido apenas dois ou três anos em Teresina, mas sempre com um pé lá e outro cá. Tempo suficiente para ganhar fama em parte do Estado, senão em todo. Falaram que Ozildo Batista de Barros tem apresentado, em suas manifestações políticas, projetos mirabolantes para região, o que não é verdade. Ele mostrou que a viabilidade tal como foi feito com as águas do São Francisco, também seria possível, necessário e urgente que se fizesse a transposição das águas da “Barragem do Guaribas”, em Bocaina, por lugares nunca pensados, como está num dos seus artigos deste jornal, ou seja, através de um canal que levaria a água da dita Barragem, contornando a Serra dos Jacus, perenizando os riachos do “Engano” e o do “Brejo”, tornando toda a região da Sussuapara um celeiro produtivo para Picos, tal como acontece com o rio São Francisco, na região Petrolina e muito mais além, desde que a transposição seja completada como prevê o projeto. Mirabolante também não seria transformar a região de Picos num polo turístico invejável, com a ocupação e a modernização das serras que há no seu interior, onde há vestígios de civilizações antigas, tal como o das “Sete Cidades”. E isto ele mostra num dos seus trabalhos integrantes desta obra

Citarei ainda, entre outros artigos, às vezes semeados de poemas, crônicas, cartas, citações de obras dos outros, como aquele documento do Dep. Neiva Moreira, que é emocionante. Todos são importantes e fizeram sucesso na imprensa picoense e também da capital, Teresina, e além do Estado. Mas um ou outro posso destacá-lo aqui, justo por serem os que mais me tocaram, não por referir-se a mim e a outras pessoas importantes, como o Des. Magalhães da Costa, o Prof. A. Tito Filho e os poetas Hardi Filho e Jámerson Lemos, gente de nossa convivência quase diária. Não posso esquecer a carta do escritor brasileiro, paulistano, Eduardo Maffei, que é um texto de sabedoria, sofrimento político, de amor e amizade – uma página indispensável à curiosidade de qualquer leitor. Também não esquecer Elias Prado Jr. e o bar “Nós e Elis”, onde se juntava a fina flor da poesia e da juventude política daqueles anos duros, chamados de ferro.

Resta lembrar que Ozildo Batista de Barros, em certo momento de sua vida rebelde, dizia não ser do mesmo “barro dos Picos”, e sim de outra olaria. Ora, Ozildo, nós somos do barro bom dos Picos, sim. Os outros, antes e depois de nós, é que são aqueles do barro ruim, pois racha quando os pobres artesãos (que são o povo) tentam construir suas obras.

Mas como esquivar-me de apontar, entre os artigos de vigência histórica eterna, “O 20º Ano da Anistia (1999)” e “O eterno retorno da tortura”? Sim, seria indispensável. Assim como as crônicas “Hoste, Hóstia, Hostil” e “Pirão de deputada parida”, onde o cronista excele, isto é, chega ao cúmulo da criatividade e do bom gosto para nós nordestinos e, creio, para quaisquer leitores de qualquer parte do país. Só para finalizar, ainda citamos “No mundo da lua” e “A biblioteca do Marcos Parente”, monumentos da imaginação, história, sofrimento, alegria e tristeza juntas. E é disto que se faz o mundo. Por isto, leitores, não há o que escolher, melhor mesmo é ler todo o jornal. Quem o ler, sairá fortalecido como eu fiquei.

Teresina, 19 de dezembro de 2020.

Francisco Miguel de Moura

Características
Número de páginas 220
Edição 1 (2020)
Formato A5 (148x210)
Acabamento Brochura c/ orelha
Coloração Preto e branco
Tipo de papel Offset 75g

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