Versos Que Nascem No Silêncio Da Alma

Por Noaldo Silva

Código do livro: 1030654

Categorias

Filosofia / Religião, Vida Cristã, Poesia, Família E Relacionamentos, Corpo, Mente E Espírito

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Sinopse

Nem todo silêncio é vazio.

Alguns carregam perguntas. Outros escondem dores. E há aqueles que guardam, em profundidade, o início de tudo.

“Versos que Nascem no Silêncio da Alma” é uma jornada íntima e transformadora através das camadas da existência humana.

Dividido em quatro partes — O Silêncio, A Alma, O Amor e O Divino —, o livro conduz o leitor por um caminho que começa na dor, passa pelo confronto interior, encontra o amor em sua forma mais verdadeira e culmina na descoberta de um sentido maior.

Com uma escrita sensível, reflexiva e profundamente humana, o autor compartilha experiências reais, emoções vividas e aprendizados que ecoam na alma de quem lê.

Mais do que um livro, esta é uma travessia.

Um convite para olhar para dentro, recomeçar e descobrir que, mesmo nos momentos mais difíceis, há algo dentro de nós que ainda deseja viver, amar e acreditar.

Se você já se perdeu em seus próprios pensamentos, ou se ainda busca sentido em meio ao silêncio, estas páginas são para você.

Características

ISBN 9786551301766
Número de páginas 138
Edição 1 (2026)
Formato 16x23 (160x230)
Acabamento Brochura c/ orelha
Coloração Preto e branco
Tipo de papel Polen
Idioma Português

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Noaldo Silva

Raízes que Sustentam

Meu amigo, companheiro… agora vou lhe contar.

Nem toda história começa com facilidade. Algumas começam com coragem — daquelas silenciosas, que não fazem barulho, mas mudam destinos inteiros.

Eu nasci na Paraíba. Terra simples, de gente forte. Mas a vida, às vezes, chama para mais longe. E foi assim que deixamos nossa terrinha, carregando na bagagem não riquezas, mas esperança.

Painho foi primeiro.Saiu sozinho, enfrentando o desconhecido, em busca de um trabalho, de um chão, de um começo. Não foi fácil — nunca é —, mas ele conseguiu. Tornou-se frentista em um posto de gasolina. E ali, entre bombas de combustível e dias longos, começou a construir o que viria a ser o alicerce da nossa história.

Depois veio mainha. Veio com três filhos — eu entre eles — e com ela trouxe o que nenhuma dificuldade consegue carregar: o amor de mãe. A viagem durou três dias. Três dias de estrada, de cansaço, de incertezas… mas também de fé. E então nos Reen- contramos.

Família reunida não é apenas presença — é força. E foi com essa força que começamos nossa vida no Rio de Janeiro.

Nossa primeira casa era de madeira, simples, em Nova Iguaçu. Ali não havia luxo, mas havia algo maior: união.

Com o tempo, vieram mais duas irmãs. E a vida seguiu seu curso, entre mudanças, casas alugadas e dias que ensinavam mais do que qualquer escola.

Painho nunca deixou faltar o essencial. E o essencial, eu aprendi, não é só comida na mesa — é dignidade, é presença, é esforço.

Mainha, mesmo com pouco estudo, nos ensinava muito. Porque ensinar não é só saber ler livros — é saber ler a vida. Crescemos assim: entre dificuldades e aprendizados, entre limitações e amor.

Lembro das músicas de Roberto Carlos tocando na casa. Lembro da televisão de tubo, do toca-discos de vinil, do piso vermelho que mainha cuidava como quem cuida de um tesouro. E talvez fosse mesmo. Porque felicidade, eu aprendi, não mora no luxo — mora no cuidado.

Até que um dia, mainha decidiu: não queria mais viver de aluguel.

E ali começou mais um capítulo de luta.

Compraram um terreno em um morro. E ali, com as próprias mãos e muito sacrifício, levantaram um pequeno lar. Simples. Frágil até, aos olhos de quem vê de fora. Mas forte como tudo aquilo que é construído com amor. Quando chovia, o medo vinha junto. Quando faltava água, vinha o esforço. Subir o morro, carregar latões… todos os dias.

A vida não era fácil.

Mas a vida também não era vazia.

Porque havia propósito.

Havia família.

Havia Deus.

Fomos crescendo. Brincando, estudando, aprendendo — principalmente aprendendo. Aprendendo que o pouco, quando compartilhado, se torna suficiente. Aprendendo que o trabalho dignifica. Aprendendo que o amor sustenta.

E assim, pouco a pouco, a casa foi se transformando. E nós também.

Todos nós, os cinco filhos, seguimos nossos caminhos. Construímos nossas famílias, nossas histórias. E mesmo independentes, nunca deixamos de ser parte do mesmo alicerce. Porque quem aprende o valor da raiz… nunca se perde do caminho.

A fé sempre esteve presente.

Mainha encontrou Jesus. Depois, painho também. E nós fomos levados junto — não apenas à igreja, mas a um modo de viver.

Cultos, orações, Escola Dominical… não eram apenas rotinas. Eram sementes.

E sementes, quando bem plantadas, florescem na vida inteira.

Cresci aprendendo a caminhar com minhas próprias pernas, mas nunca sozinho.

Painho nos ensinou o valor do trabalho. Levava a gente para ajudá-lo, para aprender, para conquistar o próprio dinheiro. E ali, ainda menino, entendi algo que levo até hoje: nada tem mais valor do que aquilo que é conquistado com esforço.

A vida seguiu seu curso.

Vieram sonhos, escolhas, caminhos.

Um deles me levou à Marinha. Um caminho que começou quase por acaso, mas que se tornou parte da minha história. Estudei, me dediquei, orei… e consegui. E assim, entre mares e responsabilidades, fui construindo mais um capítulo da minha vida. Mas a vida não é feita só de conquistas. Ela também é feita de encontros, desencontros… e recomeços.

Amei. Errei. Recomecei.

E foi em um novo recomeço que encontrei um amor que permanece até hoje.

Hoje, já mais maduro, olho para minha vida e vejo que Deus foi generoso comigo. Tenho dois filhos — um menino e uma menina — meus “Anjos Azuis”. Presentes que a vida me deu, e que carrego com amor, responsabilidade e esperança.

Quero que eles aprendam o que eu aprendi: a viver com dignidade, a valorizar o que realmente importa, a caminhar com fé.

Não enriqueci em bens. Mas enriqueci naquilo que realmente sustenta a vida.

Tenho minha família. Tenho minha casa. Tenho o suficiente. Tenho paz.

E tenho algo que o tempo não pode levar: gratidão.

Vi o mundo mudar. Vi a tecnologia avançar. Vi o homem ir além do que antes parecia impossível. Mas também vi que, apesar de tudo isso… o que realmente sustenta o ser humano continua sendo simples: fé, família e amor.

Sobrevivi a momentos difíceis. Situações que poderiam ter me derrubado. Mas Deus, em sua misericórdia, me sustentou. E ainda sustenta.

Hoje sigo aqui.

Sem pressa. Sem alarde.

Apenas vivendo… e escrevendo.

Porque contar a própria história não é sobre reviver o passado — é sobre entender o caminho. E eu entendi o meu.

Continuo em Nova Iguaçu. Continuo sendo quem aprendi a ser. Um homem de fé, que busca andar no caminho que seus pais ensinaram e que escolheu seguir a Cristo.

E assim quero viver.

Com simplicidade.

Com verdade.

Com gratidão.

Até o meu último suspiro nesta terra.

Autor: Noaldo de Sousa Silva

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