Quantas vidas cabem em dez minutos de relógio e numa caixa de seleção do sistema?
Quando atravessa pela primeira vez o portão de um CRAS na periferia de Campinas, o jovem servidor Leonardo carrega o orgulho do diploma e a secreta vaidade de salvar o mundo. Do outro lado da mesa cinza de fórmica, porém, a vida real recusa os seus carimbos.
Lá estão os "intratáveis" — aqueles que a pressa tecnocrática das metas, a caridade moralista do balcão e as receitas químicas do manicômio invisível tentaram arquivar no escuro: Dona Sebastiana, que não troca a memória do filho morto por uma cesta básica; Lucas, o rapaz que ouve nos fios de alta tensão a verdade que a cidade escondeu; Seu Valdir, o operário mutilado que escuta o apito da fábrica; Dona Dalva, que conversa com as águas do córrego; e as irmãs Jussara e Tuane, que defendem os filhos do punitivismo institucional.
Ao lado do veterano psicólogo Maurício e confrontado pela própria consciência, Leonardo abre às terças-feiras uma roda de escuta livre. Mas escutar em um sistema feito para silenciar é um ato de rebeldia: exilado como castigo no arquivo morto da Secretaria, ele desenterra prontuários que revelam crimes e direitos roubados daquelas famílias há décadas.
Intimista, contundente e lírico, A Gaveta dos Intratáveis é uma obra indispensável para psicólogos, assistentes sociais, educadores, estudantes e todo leitor que acredita que nenhum papel timbrado vale mais do que um rosto humano.
| ISBN | 9786502487051 |
| Número de páginas | 249 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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