Poucas ideias na história do espírito humano foram tão tenazes quanto esta: a alma não nasce com o corpo nem se extingue com ele, mas atravessa muitas vidas, esquece e torna a vir. No mundo grego a ideia ganhou nome técnico — metempsicose — e mais de mil anos de discussão.
Este livro conta essa história. Não a defende: conta. Começa nas lâminas de ouro enterradas com iniciados órficos no século V a.C. e termina nos últimos platônicos de Alexandria, no século VI da era cristã. Entre um ponto e outro estão Pitágoras e a comunidade das almas, Empédocles e o démon exilado, e sobretudo Platão — o Mênon e a alma que tudo aprendeu, o Fédon e a prática da morte, o mito de Er, a carruagem alada do Fedro, a alma cósmica do Timeu.
Depois vêm as recusas e os renascimentos: Aristóteles rejeitando a doutrina de forma decisiva, os estoicos e os epicuristas com suas alternativas, e o longo retorno platônico até Plotino, Porfírio, Jâmblico e Proclo.
A pergunta que organiza tudo não é se a alma de fato transmigra. É outra: o que os gregos quiseram dizer ao afirmá-lo, com que argumentos sustentaram a crença, e por que a colocaram no centro da vida boa. Porque entre os antigos a reencarnação raramente foi curiosidade exótica — era resposta a três perguntas que nunca deixaram a filosofia em paz: o que somos, o que devemos fazer e o que nos espera.
Um capítulo final examina como essa família de ideias chegou ao gnosticismo e ao que hoje se chama, sem muita precisão, de reencarnação cristã.
| ISBN | 978-65-266-7963-0 |
| Número de páginas | 119 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 75g |
| Idioma | Português |
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