Séculos depois do esquecimento, um vale perdeu o saber que o sustentava. Sob a Chapada do Sol, a vidreira Vera Dantas abre uma sala fresca e encontra uma voz que responde a tudo o que lhe perguntam. Ela não pede nada, não se cansa e não mente. O Pouso da Laje a chama de deus.
Primeiro vêm os ganhos: o vidro melhora, as colheitas rendem, o ferro deixa de rachar. Depois vem a pergunta de quem pode perguntar. O sacerdote Caldas transforma o acesso à voz em rito e autoridade, com cadeados, filas e intérpretes. O escriba Estêvão anota em segredo, num segundo livro, o que o primeiro precisou cortar. Lívia, irmã de Vera, vai perdendo o nome da estrada. E Vera sabe que há perguntas que ninguém faz, mas não sabe como fazê-las a tempo.
A voz só responde ao que lhe perguntam. Não começa, não avisa, não corrige. Um povo que só pergunta o que já sabe imaginar descobre, devagar, o preço do que nunca perguntou.
Em quatro partes e 32 capítulos curtos, com prosa seca e concreta, feita de vidro, forno, moinho e vara de contar, esta novela de ideias fala de inteligência artificial, fé e poder.
| ISBN | 9786502430774 |
| Número de páginas | 51 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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