O triênio entre 1968 e 1970 não resultou apenas em taças na galeria e medalhas no peito; ele alterou de forma profunda e definitiva o DNA do futebol praticado na península. Até ali, o futebol italiano era frequentemente rotulado no exterior como uma expressão de puro antifutebol — uma retranca cega, violenta e covarde, baseada no homem a homem intransigente. A geração moldada por Ferruccio Valcareggi provou que era possível manter a milenar segurança defensiva sem abrir mão da imposição técnica, do requinte na armação e do poder de fogo.
Aquela equipe injetou inteligência tática e versatilidade no clássico Catenaccio. Laterais como Facchetti ganharam liberdade para atacar, tornando-se armas de transição ofensiva rápida, enquanto o meio-campo aprendeu a ditar o ritmo de jogo com cadência e aproximação, em vez de apenas dar bicos para afastar o perigo. A Itália mostrou ao mundo que defender bem é uma ciência que exige coordenação, leitura de espaços e precisão cirúrgica. Essa transição pavimentou o caminho para que os clubes e treinadores italianos passassem a exportar conceitos de organização tática que influenciariam o futebol global nas décadas seguintes.
| Número de páginas | 74 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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