E se Gênesis 3 não narrasse, em primeiro lugar, a origem do mal, mas a ruptura da própria palavra que sustenta o mundo?
Em A Palavra Fraturada: A Ruptura da Comunicação em Gênesis 3, Samuel Córdoba propõe uma releitura rigorosa e ousada de um dos textos mais influentes da tradição bíblica. Longe de tratar o episódio do Éden como uma simples crônica moral da “queda do homem”, o autor demonstra que a narrativa descreve, com precisão literária e filológica, uma crise epistemológica da linguagem, uma falha estrutural na mediação da palavra divina.
A partir de uma exegese estritamente textual do hebraico bíblico, o livro reconstrói a arquitetura da comunicação perfeita em Gênesis 1–2 e acompanha, passo a passo, sua desconstrução em Gênesis 3. A serpente surge como agente hermenêutico, não como caricatura do mal; a mulher revela a primeira corrupção do cânone por acréscimo humano; e o homem, destinatário original da lei, fracassa não por ação precipitada, mas por um silêncio mediador devastador.
As chamadas “sentenças” divinas são reinterpretadas não como punições jurídicas, mas como descrições ontológicas de um novo regime relacional marcado por suspeita, poder e opacidade. Nesse mundo pós-ruptura, a humanidade não perde apenas o jardim, mas a transparência do sentido. Ganha autonomia interpretativa — e com ela, a condenação permanente à interpretação.
Na parte final, o autor avança uma tese topológica inédita: o Éden não é perdido por condenação moral, mas por incompatibilida
| Número de páginas | 90 |
| Edição | 1 (2025) |
| Idioma | Português |
Tem algo a reclamar sobre este livro? Envie um email para atendimento@clubedeautores.com.br
Faça o login deixe o seu comentário sobre o livro.