TRAVESSIAS DO AṢẸ́ E MATRITRAVIARCADO

Cosmopolíticas do Corpo e Epistemologias Divergentes nos Candomblés Afro-Diaspóricos

Por Fernanda de Moraes - Iyá Fernanda ty Ọyá/Ṣàngọ̀

Código do livro: 938483

Categorias

Discriminação & Relações De Raça, Cidadania, Antropologia, Desenvolvimento Humano, Ciências Humanas E Sociais, Ciências da Religião

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Sinopse

Travessias do Aṣé e Matritraviarcado: Cosmopolíticas do Corpo e Epistemologias Divergentes nos Candomblés Afro-Diaspóricos investiga os Candomblés como territórios vivos de produção de conhecimento, memória e resistência negra. A obra compreende o Aṣé como força cosmopolítica que articula corpo, ancestralidade, espiritualidade e poder, ultrapassando leituras religiosas restritas e coloniais.

Ao propor o conceito de matritraviarcado, o livro desloca epistemologias patriarcais e eurocentradas, evidenciando a centralidade histórica e cosmológica das mulheres negras — cis, transexuais e travestis, negras e de Aṣé — na sustentação, transmissão e reinvenção dos saberes afro-diaspóricos. Os terreiros emergem como espaços de aquilombamento, onde gênero, corporeidade e espiritualidade operam como travessias contínuas e não como categorias fixas.

Ancorada em perspectivas decoloniais e em saberes negros, a obra articula narrativas orais, experiências rituais e reflexão teórica para afirmar os corpos negros divergentes como arquivos vivos e produtores legítimos de conhecimento. Travessias do Aṣé e Matritraviarcado é, assim, um gesto político-epistemológico que inscreve os Candomblés no centro das disputas contemporâneas sobre vida, saber e existência.

Características

Número de páginas 67
Edição 1 (2026)
Formato A4 (210x297)
Acabamento Brochura s/ orelha
Coloração Preto e branco
Tipo de papel Offset 90g
Idioma Português

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Fernanda de Moraes

Fernanda de Moraes ou Iyá Fernanda ty Ọyá/Ṣángọ̀ é uma mulher transexual, negra, transfeminista, Iyálọríṣá de Candomblé da Nação Ketu, com formação acadêmica em Serviço Social pela UNESP de Franca-SP e Pós-Graduada em Direitos Humanos, Gênero e Sexualidade pela UERJ.

Iniciada (Ìbẹ̀rẹ̀) em Manaus-AM, no Ilè Aṣé Ọpọ Mẹsan Ọrún, Templo de Candomblé Terreiro de Santa Bárbara - Aṣẹ́ Seringal Mirim, Ọmọbìnrin (filha) do Ilẹ̀ Aṣẹ́ Sesú Toyan, do Babálọríṣà Gilmar Pereira ty Iyèmọjá, neta de aṣẹ́ do Babálọríṣà Ribamar ty Ayrá, bisneta de aṣẹ́ do Babálọríṣà Lídio Mascarenhas ty Ọṣọgiyàn (in memorian), traz em sua ancestralidade afro-religiosa uma linhagem que remonta ao Ilè Aṣẹ́ Ọpọ Afonjá, afirmando o Candomblé como matriz civilizatória, epistemológica e ética. Investida no sacerdócio como Iyálọríṣá em 2010, Iyá Fernanda exerce o cuidado, a liderança e a palavra como fundamentos políticos do aṣẹ́, compreendendo o terreiro como espaço de aquilombamento e produção de futuro.

Sua formação acadêmica em Teologia, Serviço Social e Direitos Humanos dialoga diretamente com sua vivência enquanto mulher transexual negra em um país estruturado pela colonialidade, pelo racismo e pela transfobia. Ao migrar para São Paulo nos anos 1990, teve sua trajetória interrompida pela negação sistemática de direitos, pela ausência de políticas públicas e pela violência institucional contra travestis e mulheres transexuais. A prostituição compulsória, a perseguição policial e a experiência da morte cotidiana marcaram sua consciência crítica e consolidaram sua escolha pela militância organizada.

A partir dessa vivência, Iyá Fernanda constrói uma atuação política ancorada na coletividade, sendo protagonista na articulação de políticas públicas, na organização de eventos históricos e na consolidação do movimento social de mulheres transexuais e travestis no Brasil. Atuou na diretoria executiva da ANTRA entre 2016 e 2024 e esteve à frente de marcos como o SETRANS e o ENTLAIDS, reafirmando a centralidade da vida, da saúde e da dignidade de sua população.

Atualmente, está como Presidenta e Coordenadora Nacional da CONATT – Conexão Nacional de Mulheres Transexuais e Travestis de Axé – e Presidenta do Instituto APHRODITTE-SP, reafirmando o compromisso com os direitos humanos, civis e sociais, especialmente das mulheres transexuais e travestis, negras e de aṣé.

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