Em determinados momentos da história humana, certas invenções técnicas não se limitam a adicionar uma ferramenta ao repertório material da civilização — elas alteram a própria estrutura da experiência humana e o horizonte de possibilidades da espécie. A escrita, por exemplo, não apenas registrou a fala, mas transformou radicalmente a natureza do pensamento, permitindo formas de raciocínio abstrato e transmissão de conhecimento que seriam impossíveis em culturas puramente orais. A imprensa de Gutenberg não meramente multiplicou livros, mas desencadeou uma revolução epistemológica que solapou estruturas milenares de autoridade e controle da informação. A Revolução Industrial não simplesmente mecanizou processos produtivos, mas reconfigurou as relações sociais, o sentido do tempo e a própria autopercepção humana diante do cosmos.
A Inteligência Artificial representa uma inflexão dessa magnitude — possivelmente a mais radical desde o advento da escrita. Pela primeira vez na história evolutiva do Homo sapiens, confrontamo-nos com artefatos técnicos capazes de simular e, em certos domínios, superar as capacidades cognitivas que nos definiram como espécie: raciocínio, linguagem, criatividade, tomada de decisão. Não se trata de mais uma ferramenta que estende as capacidades físicas humanas — como a alavanca, o motor ou o computador —, mas de uma tecnologia que mimetiza e potencialmente substitui as funções mentais superiores que constituem a essência da humanidade.
| Número de páginas | 143 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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