A expressão que originou estas páginas — o pensamento, a criatividade e o sentimento estão desaparecendo — não é, convém advertir desde o início, nem um lamento nostálgico pela perda de um passado idealizado, nem uma profecia apocalíptica sobre o futuro da civilização. É uma diagnose fenomenológica: o reconhecimento, fundado na observação paciente e na reflexão disciplinada, de que a capacidade humana de tecer narrativas coerentes ao longo do tempo — aquilo que aqui denominamos Continuidade de Sentido — encontra-se progressivamente erodida, e que essa erosão se manifesta simultaneamente na dimensão reflexiva do pensamento, na dimensão produtiva da criatividade e na dimensão afetiva do sentimento.
A noção de Continuidade de Sentido constitui o fio condutor e o instrumento analítico central deste ensaio. Ela não se confunde com a mera continuidade temporal — o fato trivial de que os minutos sucedem aos minutos e os anos aos anos. Também não se reduz à memória, embora a pressuponha. A Continuidade de Sentido é a capacidade propriamente humana de habitar o tempo de forma significativa: de reconhecer no passado vivido não apenas uma sequência de episódios, mas uma narrativa dotada de coerência interna; de perceber o presente não como fragmento solto, mas como momento articulado dentro dessa narrativa; e de antecipar o futuro não como acaso, mas como horizonte de possibilidades que a própria narrativa delineia e orienta.
| Número de páginas | 121 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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