O leitor encontrará aqui um híbrido de gêneros, deliberadamente assumido. Não é uma autobiografia, pois os episódios pessoais comparecem apenas quando iluminam algo que excede o particular; não é uma confissão à maneira agostiniana, embora deva ao bispo de Hipona o pressuposto de que a vida interior é digna de exame filosófico; tampouco é um tratado, pois o tratado parte de fora dos fatos, enquanto este texto fala de dentro deles. É um ensaio — palavra que devolvo aqui ao seu sentido primeiro, montaigniano: tentativa, exercício, sondagem provisória de um real que jamais se deixa apreender totalmente. E é, ao mesmo tempo, testemunho — modalidade discursiva específica, distinta da memória e do diagnóstico, que apenas pode ser exercida por quem viveu o que descreve.
A primeira pessoa, neste ensaio, não é vaidade nem confidência. É exigência metodológica. Pensar a metamorfose do pensamento a partir de fora — como se houvesse um observador neutro suspenso acima das próprias convicções — é cair na ilusão que toda a tradição hermenêutica, de Schleiermacher a Gadamer, ensinou a desconfiar: a ilusão do ponto de vista sem ponto de vista. Se quero falar honestamente sobre como um homem deixa de ser o que era para se tornar o que vem a ser, preciso falar a partir de uma travessia concreta — a minha, não porque seja exemplar, mas porque é a única à qual tenho acesso direto. Outras travessias serão semelhantes em alguns aspectos e diferentes em outros; mas é da minha que posso falar...
| Número de páginas | 116 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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