Não é todo dia que se encontra a obra de um escritor que sofreu, em vida, a humilhação que sofreu Lima Barreto, e que nessa obra deixou, para quem soubesse ler, exatamente a chave de saída do tipo de humilhação que o feriu. Geralmente, os escritores que sofreram muito legam aos sucessores apenas o registro da queixa — registro útil, é certo, à pedagogia da memória social, mas, em rigor, espiritualmente estéril. O que distingue Lima Barreto da maioria dos escritores que partilham com ele a condição de excluídos é que ele soube, sem teorizar, sem proclamar, sem dramatizar, atravessar o registro da queixa. Foi ao outro lado. Tendo começado em Isaías Caminha como o testemunho amargurado da humilhação do mestiço pobre, terminou em Gonzaga de Sá como o retrato sereno de um sábio que, em meio à mesma sociedade que o havia humilhado, descobrira o segredo, simples e quase inacessível, de não se deixar capturar pelo agravo. Nesse percurso interior — que a crítica brasileira raramente reconheceu como o eixo verdadeiro da obra —, está, eu creio, o testamento espiritual mais valioso que a literatura nacional produziu em seus primeiros cem anos.
Esta releitura não é original em sua intuição matriz. Ela tem um precursor — e seria uma forma sutil de plágio não nomeá-lo desde já, na primeira página, com a clareza que o gesto exige.
| Número de páginas | 226 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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