O recorte temporal — 1960 a 2026 — obedece não à convenção acadêmica dos “ciclos presidenciais”, mas à lógica interna dos fenômenos. O ano de 1960 não é apenas uma data: é um nó histórico. É o momento em que se inaugura Brasília — expressão máxima do construtivismo racionalista aplicado à política, uma capital erguida no Planalto Central como se a história pudesse ser reiniciada por decreto. É o momento em que se esgota o modelo de substituição de importações do primeiro desenvolvimentismo . É o momento em que a crise de legitimidade do populismo varguista-juscelinista começa a germinar a radicalização que culminará no golpe de 1964 e, por extensão, em todo o ciclo autoritário que durará vinte e um anos.
Inaugurar o ensaio em 1960 é começar no ponto exato em que a ilusão da tabula rasa institucional alcança sua expressão mais audaciosa. O ponto de chegada — início de 2026 — não é fecho definitivo. O crepúsculo, por definição, não tem hora marcada para terminar. Mas permite, ao leitor e ao autor, olhar para trás e reconhecer a espantosa recorrência: planos econômicos que ignoram os anteriores, reformas que desfazem reformas, constituições que se acumulam como camadas geológicas sem que as mais profundas tenham sido assimiladas. Roberto Campos captou a patologia numa frase célebre : “O Brasil não tem memória; tem apenas rancores.” A memória articula, compreende e aprende; o rancor recrimina, repete e alimenta-se do passado sem transcendê-lo.
| Número de páginas | 336 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | 16x23 (160x230) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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