Numa conversa com uma jovem estudante, Camila, ela me fez uma pergunta que, sob sua aparente simplicidade, carregava o peso de uma civilização inteira: “Quais são os valores?”. O que estava por trás era desafiador, ela queria saber o que um conservador defende que um progressista não defende — ou que a esquerda é mais inclusiva por defender pautas como a do casamento homoafetivo. A pergunta revelava, sem que ela o soubesse, o núcleo da grande confusão intelectual do nosso tempo: a substituição de valores por pautas, de substância por reivindicações, de ontologia por política. Respondi-lhe que uma pauta como essa é, para o conservador liberal legítimo, uma questão de adequação cultural — a expressão de formas de vida que, dentro de um horizonte de pluralidade, podem ser acomodadas sem que os fundamentos civilizacionais sejam comprometidos. Mas adverti-a de algo mais profundo: tratar desejos, identidades e pautas políticas como valores universais constitui uma inversão de valores — no sentido rigorosamente nietzschiano do termo, embora com conclusões diametralmente opostas às que Nietzsche extraiu. E a imposição de certas pautas pela esquerda cultural carrega a estrutura do autoritarismo, ainda quando se apresenta com o rosto sorridente da inclusão.
O presente ensaio nasce dessa conversa. Seu objetivo não é a polêmica fácil, mas a clarificação filosófica — necessária num tempo em que a linguagem foi capturada por grupos que a utilizam como instrumento de poder.
| Número de páginas | 279 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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