A Escola de Frankfurt — nome que designa, com toda a imprecisão que os rótulos históricos comportam, a tradição intelectual inaugurada pelo Institut für Sozialforschung fundado em Frankfurt em 1923 — produziu, ao longo de quase um século, algumas das análises mais penetrantes sobre as formas ocultas de dominação que a modernidade capitalista inventou. Adorno e Horkheimer, na Dialética do Esclarecimento, formularam a pergunta que organiza toda a tradição: como foi possível que a razão ocidental, em sua forma mais desenvolvida, pudesse produzir Auschwitz? A pergunta é genuína e devastadora, e nenhuma resposta fácil a satisfaz. O ensaio não pretende satisfazê-la — pretende examinar o que a tradição que ela gerou fez com as respostas que tentou. Porque há uma ironia que a história das ideias exibe com constância suficiente para que se possa chamar de padrão: as tradições que mais perspicazmente diagnosticam uma forma de dominação são também as mais propensas a reproduzi-la — em nova escala, com novo vocabulário, mas com a mesma estrutura lógica. A consciência do mecanismo não imuniza contra ele.
O paradoxo da Escola de Frankfurt não é moral — não se trata de hipocrisia nem de má-fé. É estrutural: nasce da pretensão de construir uma crítica que se coloque fora do sistema que critica, que possua um ponto de observação não contaminado pelo que observa. Esse ponto não existe.
| Número de páginas | 160 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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