Este ensaio nasceu de uma metáfora. Não de uma tese elaborada em gabinete, nem de um programa previamente traçado, nem da ambição de preencher uma lacuna na literatura de ciência política brasileira — embora, ao final, algo dessa natureza possa ter ocorrido. Nasceu de uma metáfora: a das baleias que morriam não por maldade dos baleeiros, mas pela lógica implacável do regime de incentivos em que os baleeiros operavam. A imagem pertence a Seth Godin — autor pouco frequentado pelos ensaístas políticos, o que é, por si só, uma observação metodológica. A verdade sobre os sistemas humanos não respeita as fronteiras disciplinares que nós, acadêmicos e ensaístas, estabelecemos para organizar o conhecimento. Ela aparece onde quer que um pensador honesto olhe com atenção suficiente para o que os sistemas realmente fazem, em vez do que declaram fazer. E o que os sistemas realmente fazem é, quase sempre, servir à sua própria perpetuação. Da metáfora da baleia ao diagnóstico do patrimonialismo brasileiro é um percurso que não percorre em linha reta. Exige desvios por Aristóteles e Hayek, por Faoro e Arendt, por Gramsci e Edmund Burke — companhias improvável no mesmo texto, mas necessárias num argumento que recusa tanto o economicismo que não enxerga a cultura quanto o culturalismo que não enxerga os incentivos. A pretensão deste ensaio é, justamente, a de manter abertos os dois olhos ao mesmo tempo.
| Número de páginas | 150 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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