A obra de Wilhelm Dilthey repousa sobre uma intuição decisiva: a vida humana não é uma sucessão caótica de eventos, mas uma tessitura inteligível, uma conexão de sentido (Zusammenhang des Sinnes). Viver, para Dilthey, é já interpretar — e interpretar é situar cada experiência no fluxo mais amplo de uma totalidade significativa. A consciência não é um ponto isolado, mas um nó em uma rede de significações que se estendem no tempo. E essa é uma qualidade propriamente humana: somos seres temporais numa configuração dotada de sentido. É nesse horizonte que a noção de “Continuidade de Sentido”, desenvolvida por Afrânio Campos, encontra seu solo fecundo — e, ao mesmo tempo, o ultrapassa. Em Dilthey, a conexão de sentido é primariamente retrospectiva: compreendemos a vida olhando para trás, reconstruindo os nexos que dão unidade ao vivido. A história, a biografia, a cultura — tudo se organiza como narrativa. Cada ato humano é inteligível apenas porque pertence a uma trama maior. Há, portanto, uma confiança de fundo: a de que o mundo humano é compreensível porque é estruturado por sentido. Mas essa compreensão, ainda que dinâmica, permanece em certa medida descritiva — observa o curso do sentido, sem ainda formular a tarefa de sustentá-lo. Revela o encadeamento, mas não necessariamente a força que o sustenta no devir.
É aqui que a Continuidade de Sentido se insinua como uma radicalização do gesto dilthyano. A continuidade de sentido não é apenas o reconhecimento de que há conexão ...
| Número de páginas | 179 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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