Há, neste ensaio, uma preocupação que o percorre subterraneamente e que convém explicitar: a preocupação com aquilo que, ao longo de meus trabalhos anteriores, denominei Continuidade de Sentido — a capacidade de uma sociedade, de uma instituição, de um indivíduo, de manter a coerência entre o que professa e o que pratica, entre o que herda e o que transmite, entre a memória e o projeto. Quando essa continuidade se rompe, quando a linguagem oficial deixa de corresponder à realidade vivida, quando as instituições perdem a capacidade de vincular os indivíduos a princípios que transcendem o interesse imediato — então o terreno está preparado para a obediência irrefletida e para a banalização do mal. Dilthey observou que a vida só se torna inteligível retrospectivamente, quando a conexão dos eventos pode ser articulada numa narrativa. Gadamer acrescentou que toda compreensão é uma fusão de horizontes: o sentido do passado se transforma à medida que o horizonte do presente se amplia. Ricoeur desenvolveu essas intuições ao demonstrar que a identidade moral do sujeito se constitui como identidade narrativa. O presente ensaio situa-se nessa tradição hermenêutica: ele propõe uma narrativa sobre a obediência e a consciência que, ao articular eventos históricos, dados experimentais, categorias filosóficas e vozes literárias, busca compreender não apenas o que aconteceu, mas por que aconteceu e como poderia não ter acontecido.
| Número de páginas | 227 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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