Há uma inversão sutil e, ao mesmo tempo, decisiva, embutida na afirmação corriqueira de que é impossível pensar sem palavras. À primeira vista, a sentença parece quase trivial — um dado da experiência que dispensa exame. Mas a história da filosofia ensina que as proposições que se oferecem como mais óbvias são, não raro, as que transportam em si as confusões mais profundas. Olavo de Carvalho observou repetidamente, que as afirmações que se apresentam como mais evidentes são, com frequência, aquelas que guardam as inversões mais perigosas. O que se mostra, sob escrutínio filosófico rigoroso, é precisamente o contrário: é impossível expressar palavras sem o pensamento. Esse deslocamento não é meramente semântico; ele implica uma reconfiguração da própria hierarquia entre consciência, linguagem e realidade — tema que ocupa o núcleo da obra olaviana, especialmente na crítica à redução sociológica da experiência cognitiva e na formulação da Teoria dos Quatro Discursos. Quando se afirma que é impossível pensar sem palavras, opera-se, silenciosamente, a subordinação do ato intelectivo ao instrumento linguístico. O que se segue neste ensaio é, portanto, uma tentativa de restituir a ordem: colocar a consciência antes da linguagem, o ser antes do discurso, o silêncio originante antes da palavra articulada. Não se trata de negar a importância da linguagem — seria pueril fazê-lo —, mas de recusá-la como fundamento, restituindo-lhe o lugar que lhe cabe: o de mediação, nunca o de causa.
| Número de páginas | 148 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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