Há sentenças que nascem de pé. Não as frases trabalhadas do tratado, que chegam ao papel já penteadas e de gravata, mas aquelas outras que escapam a alguém no calor de uma conversa — ditas quase sem querer, ao sabor da ocasião, e que no entanto trazem dentro de si, comprimido, um mundo inteiro. Foram sentenças assim que deram origem a este livro. Elas não vieram de uma doutrina exposta com método; vieram soltas, espalhadas ao longo de um debate, como faíscas que saltam de uma fogueira e que só mais tarde percebemos terem vindo todas do mesmo fogo. Reuni essas faíscas de uma entrevista. Ser é conhecer. O problema da metafísica é o mesmo do conhecimento. Só se aprende a andar de bicicleta andando de bicicleta — e a máquina, mesmo de corpo e a pedalar, jamais conhecerá a dor da queda ou do sentimento que leva ao conhecimento do ser. O logos não cabe na razão humana; o milagre nos explica, e não o contrário. Cada uma dessas colocações fora dita de passagem, sem a arquitetura que pede um sistema; e cada uma delas, contudo, parecia o fragmento de uma estátua maior, um membro disperso de um só corpo que pedia para ser recomposto. Faltava-lhes apenas o eixo. Foi um dos debatedores quem o forneceu, ao dizer que o projeto do filósofo era, no fundo, a redução de toda gnosiologia a uma ontologia — e que estudar o ser é estudar a condição de participação no ser, que é a condição de todo conhecer. Naquela frase, as demais encontraram seu centro de gravidade.
| Número de páginas | 95 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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