A Chama e a Margem tornou-se necessário ao apelo que a obra A Capitalização da Natureza por sua alta coerência arquitetônica assentada sobre uma antinomia central conscientemente irresolvida apresentou como incontornável desenvolver suas intenções como programa concreto. Sua unidade não vem de uma tese fechada, mas da consistência com que sustenta uma mesma contradição — a impossibilidade de a racionalidade econômica hegemônica preservar aquilo que ela precisa capitalizar — ao longo de seis camadas teóricas hierarquizadas. O que a um leitor apressado poderia parecer ecletismo (Jonas ao lado de Hayek, Marx ao lado de Costanza, Leff ao lado de Carrera-Fernández) é, na leitura atenta, uma estratigrafia deliberada: cada autor ocupa um nível funcional distinto do argumento. Suas fragilidades são quase todas produtivas e, em boa parte, declaradas pelo próprio autor — o livro se apresenta como pórtico ("introduzir, não concluir") , e as seis questões finais funcionam como programa de pesquisa mais do que como lacunas. A rigor, a maior fragilidade genuína não é lógica, mas executiva: o conceito-ponte (metaestabilidade) e a reconciliação entre liberalismo e racionalidade ambiental são anunciados com mais força do que demonstrados. É precisamente aí que residem as vias de aprofundamento que a obra mesma reivindica.
| Número de páginas | 127 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Colorido |
| Tipo de papel | Couche 115g |
| Idioma | Português |
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