Há dívidas que só crescem quando tentamos nomeá-las, e esta é uma delas. Este livro começou, embora eu então não o soubesse, em 2016, quando a obra de Olavo de Carvalho me caiu às mãos — por acaso, ou por aquela providência que o acaso tantas vezes disfarça. Eu já era um leitor, e um homem afeito aos números; não esperava que um filósofo viesse remexer a mobília da minha mente. Veio.
Não o conheci. Poderia tê-lo conhecido — viveu ainda seis anos, e partiu somente em 2022 —, mas a ocasião nunca veio, e agora nunca virá. É um pesar de espécie particular este: dever tanto a alguém cuja mão nunca apertei, cuja voz ouvi apenas pela mediação de uma tela e de uma página. E, no entanto — e aqui a própria tese deste livro me consola —, recebi dele o que mais importa, e recebi-o exatamente como o livro argumenta que todo conhecimento se recebe: por testemunho, à distância, sem presença. A faísca, dizia Platão, salta; e saltou até mim de um homem que eu jamais encontraria, como saltou para tantos outros. Se não pude ter a sua presença, tive a sua palavra; e a sua palavra bastou para voltar-me à luz. Pois foi isso o que ele fez. Forçou-me — não há verbo mais brando — a mergulhar na sua vasta obra, e nesse mergulho encontrei uma das linhas da minha própria alma de escritor: o espanto, que desde então nunca mais me deixou, diante da pura potência da filosofia numa vida humana. Eu julgara a filosofia uma disciplina; ele mostrou-me que era um modo de ver, e que ver com justeza muda tudo...
| Número de páginas | 100 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 115g |
| Idioma | Português |
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