Há livros que se escrevem e há livros que, depois de escritos, revelam que foram sempre um só. Quando, há alguns anos, comecei a dar forma à intuição de que o homem é um ser que habita o tempo — e que adoece quando o tempo deixa de ser habitável —, eu não sabia que escrevia este livro. Julgava-os muitos: uma obra sobre a condição antropológica do sentido, outra sobre a sua erosão, uma terceira que media a categoria contra a matéria bruta da crise brasileira, uma quarta que voltava a interrogação sobre quem interroga. Só ao fim percebi que não havia quatro inquietações, mas quatro faces de uma só; que aquilo que eu tomava por temas sucessivos era, na verdade, um único fio que eu seguia sem o ver inteiro — e que reconhecer esse fio era já a primeira exigência daquilo mesmo que ele afirmava. A categoria, devo confessá-lo, não foi um assunto que escolhi; foi uma inquietação que me escolheu. Não cheguei a ela pela porta da escola, deduzindo-a de premissas, mas pela porta da experiência: pela percepção, ao mesmo tempo cívica e íntima, de que algo se desfazia no mundo — que as gerações deixavam de se falar, que a memória se tornava ruído, que a aceleração dissolvia a própria substância da experiência antes que ela pudesse depositar-se em sentido. Diante dessa erosão, a Continuidade de Sentido impôs-se menos como tese a defender do que como modo de ver, como a lente sem a qual o diagnóstico do tempo presente me parecia cego. Toda categoria filosófica verdadeira, suspeito, nasce assim
| Número de páginas | 87 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Colorido |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
Tem algo a reclamar sobre este livro? Envie um email para atendimento@clubedeautores.com.br
Faça o login deixe o seu comentário sobre o livro.