«Eu acho que Deus já cansou de mim.» A frase é de uma mulher que se confessava três vezes por semana e não conseguia comungar. Tinha diagnóstico de transtorno de personalidade borderline, fazia tratamento, ia à missa — e vivia convencida de que a instabilidade dela era um defeito moral que Deus contabilizava.
Nada disso era verdade, e ninguém tinha dito isso a ela.
Este livro trata dessa confusão: a de ler os sintomas de uma doença como se fossem sinais da própria alma. Quem faz isso carrega dois pesos onde deveria carregar um.
São trinta e quatro capítulos. Primeiro a descrição clínica, em português e sem suavizar. Depois a separação, feita uma a uma, entre o que é sintoma e o que é vida espiritual: sentir-se abandonado por Deus e ser abandonado por Deus; a noite escura de São João da Cruz e o vazio descrito no manual de psiquiatria; o escrúpulo e a contrição. No fim, uma regra de vida curta, feita para quem oscila — como rezar, confessar e comungar de um jeito que aguenta o dia em que nada funciona.
No centro está uma coisa que o Catecismo diz com todas as letras e que quase ninguém ensina a quem mais precisa: três condições são necessárias, em simultâneo, para haver pecado mortal, e perturbações patológicas podem diminuir o caráter voluntário da falta. Quem se acusa sozinho costuma contar só uma das três.
Não há aqui testemunho inventado, e não há promessa de cura. Este livro não é manual clínico e não substitui tratamento.
| Número de páginas | 147 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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