Há questões que a filosofia formula uma vez e que, desde então, não cessam de interpelar cada geração que se dispõe a pensar. Não são questões que se "resolvem" definitivamente, arquivando-se em seguida como problemas superados; são questões que se habitam — que cada pensador deve reapropriar, rearticular, reconquistar para si mesmo, sob pena de não compreendê-las de todo. O paradoxo que este ensaio busca meditar é uma dessas questões perenes: a tensão entre a singularidade irredutível do existente concreto e a universalidade necessária do conhecimento que dele podemos ter.
Aristóteles a formulou com aquela concisão lapidar que caracteriza os grandes pensadores: "Não há ciência do singular." A frase é curta; suas implicações são imensas. Pois se não há ciência do singular — se o conhecimento científico (episteme) versa sempre sobre o universal —, e se, por outro lado, tudo que existe só existe como singular concreto, então entre o ser e o conhecer abre-se uma fissura que nenhuma dialética pode soldar sem violência. O existente escapa ao conceito; o conceito não alcança o existente. Como, então, conhecemos? Como é possível que haja conhecimento genuíno de um mundo feito de singulares irrepetíveis? Ora, o paradoxo de Aristóteles é ocasião privilegiada de espanto. Diante dele, o pensamento experimenta sua própria finitude — não como defeito acidental que maior esforço pudesse superar, mas como condição constitutiva que o define enquanto pensamento humano.
| Número de páginas | 120 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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