Na soleira de A Arquitetônica do Sentido escrevi que há duas maneiras de conhecer uma casa: “O visitante descreve; o habitante responde”. Reivindicava ali a autoridade modesta de quem morou num problema durante anos, conhece as suas correntes de ar e as suas vigas escondidas, e podia, por isso, levantar a planta de um edifício que outros tomariam por construções avulsas. Não retiro uma palavra. Mas o livro que o leitor tem nas mãos nasce da suspeita complementar, que só o tempo me permitiu formular: se o habitante sabe coisas que o visitante ignora, o visitante vê o que o habitante já não consegue ver. Quem mora numa casa deixa de enxergar a fachada. Sabe onde range o assoalho e qual janela emperra no inverno, mas esqueceu que cor tem a porta vista da rua, e não saberia dizer se, de fora, a casa parece uma casa ou um amontoado de cômodos. Este estudo é o olhar da rua. Examina as onze obras em que a categoria de Continuidade de Sentido foi formulada, estendida e aplicada, não para as louvar nem para as refutar, mas para responder a uma pergunta de arquitetura: se elas formam um sistema. Peço ao leitor que repare no pronome. Nas páginas que seguem, o autor dessas obras aparece em terceira pessoa, citado pela página, contraditado quando se contradiz, confrontado com as promessas que fez e com as que esqueceu de cumprir. Essa terceira pessoa não é pudor, nem artifício de modéstia. É a distância sem a qual nenhum juízo sobre uma obra é possível, e a única forma de dar ao autor o..
| Número de páginas | 106 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 115g |
| Idioma | Português |
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