Há anúncios que dizem mais sobre quem os faz do que sobre aquilo que anunciam. Numa tarde de outubro de 2026, circulou numa rede social uma imagem em duas partes: no alto, a frase de efeito, segundo a qual pesquisadores teriam acabado de assinar a certidão de óbito da programação; embaixo, a primeira página de um artigo acadêmico com título de epitáfio, The End of Software Engineering, o fim da engenharia de software. A frase correu como correm hoje as frases: sem leitor, apenas com repetidores. Quem a compartilhava não tinha aberto o artigo; quem o abrira, em geral, não a compartilhava. O homem moderno tem uma relação curiosa com os obituários de suas próprias atividades. Já se anunciou a morte do romance, a morte da pintura, a morte de Deus, a morte do autor, o fim da história, o fim do trabalho. Em quase todos os casos, o defunto continuou andando pela casa, um tanto envergonhado, enquanto o coveiro procurava outra freguesia. Não porque os anúncios fossem inteiramente falsos, mas porque confundiam a morte de uma forma com a morte de uma necessidade. A pintura de cavalete perdeu o monopólio da imagem para a fotografia; a necessidade de ver o mundo com olhos de homem continuou intacta, e a pintura reencontrou o seu lugar justamente quando deixou de competir com a câmera. Este ensaio parte de uma suspeita semelhante. O que está chegando ao fim não é a engenharia de software, mas uma certa divisão do trabalho dentro dela: aquela em que o engenheiro humano precisava traduzir
| Número de páginas | 114 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 115g |
| Idioma | Português |
Tem algo a reclamar sobre este livro? Envie um email para atendimento@clubedeautores.com.br
Faça o login deixe o seu comentário sobre o livro.