Há textos que se leem uma vez e se arquivam; há outros que se leem uma vez e ficam morando em nós, como um hóspede que não paga aluguel mas paga, com o tempo, em inquietação. O artigo que Olavo de Carvalho publicou no Diário do Comércio em 11 de dezembro de 2008, sob o título “URSS, a mãe do nazismo”, pertence à segunda espécie. É um texto em dois tempos. No primeiro, aponta para um documentário letão, The Soviet Story, e dele extrai cinco teses históricas sobre a cumplicidade entre a União Soviética e a Alemanha de Hitler. No segundo, abandona a crônica dos fatos e entra no consultório: a mentalidade revolucionária, diz, não é um conjunto de crenças, mas um sistema de incapacidades adquiridas — e, portanto, não se discute com ela como se discute com um adversário, porque o debate pressupõe uma sanidade comum que ali já não existe. O leitor que conhece a obra de Olavo reconhecerá a assinatura: a impaciência com a polidez que mascara a realidade, a recusa de tratar o horror como opinião, a intuição de que certos erros não são do conteúdo mas da percepção. Reconhecerá também o risco do gênero. O artigo de jornal é escrito contra o relógio, e a indignação, que é a mais honesta das paixões diante do crime, é também a mais apressada das historiadoras. Entre o que o filme afirmava e o que os arquivos sustentam há uma distância que não é pequena em alguns pontos e é desprezível em outros. Este livro nasce da convicção de que honrar um mestre não é repeti-lo, mas verificá-lo...
| Número de páginas | 110 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 115g |
| Idioma | Português |
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