Estas páginas nascem da leitura de um ensaio de Terence Tao, Mathematics in the Age of AI, redigido a partir de uma conferência pública do Congresso Internacional de Matemáticos de 2026. Tao propõe, com a elegância de quem conhece a história de sua disciplina, que a matemática ingressa numa turbulência comparável à crise dos fundamentos do início do século XX — mas de natureza inteiramente distinta. Não é agora a verdade matemática que se acha sob tensão, e sim o tecido implícito de seus valores e práticas: o que reputamos uma contribuição, o que recompensamos, quem — ou o quê — consideramos ter feito o trabalho.
O presente ensaio não resume Tao; desdobra-o. Toma a sua intuição central — a de que a máquina pode tornar abundante aquilo que a matemática, por milênios, tratou como escasso — e submete-a a dois crivos que o autor apenas tangencia: o crivo do economista, para quem toda inversão entre escassez e abundância é um problema de preços relativos e de migração de valor; e o crivo do filósofo da compreensão, para quem provar nunca coincidiu inteiramente com entender. Ao fim, a questão que se anuncia não é se a inteligência artificial fará matemática, mas o que restará como finalidade do fazer matemático quando a demonstração deixar de ser um bem raro. É, no vocabulário que venho desenvolvendo alhures, um problema de continuidade de sentido.
| Número de páginas | 178 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Colorido |
| Tipo de papel | Couche 115g |
| Idioma | Português |
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