Há uma experiência que nenhuma formação científica ou filosófica é capaz de antecipar completamente. Ela ocorre quando, numa noite de céu limpo, longe da poluição luminosa das cidades, o observador levanta os olhos e percebe, pela primeira vez com genuína acuidade, o que está efetivamente diante dele: não um teto pontilhado de luzes decorativas, mas uma profundidade — um abismo sem fundo que se estende em todas as direções, no qual cada ponto de luz é o produto de bilhões de anos de fusão termonuclear em uma esfera de plasma com diâmetro que torna o planeta sob seus pés irrisório. O espanto que isso provoca não é poético: é a resposta cognitiva adequada a uma informação verdadeira sobre a escala do real. Foi exatamente esse espanto que Aristóteles identificou como a origem do pensamento filosófico: θαυμάζειν, o maravilhar-se. "Os homens começaram a filosofar por causa do espanto", escreveu ele na Metafísica, "e ainda hoje filosofam por causa dele." O que Aristóteles não podia prever é que, dois milênios depois, o espanto filosófico e o espanto científico convergiriam num único objeto de investigação impossível de esgotar: um cosmos de duzentos bilhões de galáxias, cada uma com centenas de bilhões de estrelas, com 13,8 bilhões de anos de história, em expansão acelerada, absolutamente silencioso no que concerne a outras mentes que não a nossa. Este ensaio nasceu desse espanto. Não de uma tese prévia a demonstrar, nem de uma ideologia a confirmar, nem de um consolador otimismo
| Número de páginas | 198 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 115g |
| Idioma | Português |
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