O filósofo, a praça e a medida de uma frase
Um pensamento pode chegar em qualquer envelope e, em um instante, se tornar um mote para a criação de algo com significado. Este chegou pelo meio mais fugaz de todos: um mural de rede social, datado de um único dia, assinado, exposto à praça. É o equivalente moderno do filósofo que fala no adro — não a cátedra, não o tratado, mas a palavra dita de passagem, à vista de todos. Convém, antes de tudo, medir o que isso significa; porque a ocasião de um pensamento não lhe fixa o peso. Uma verdade cabe num guardanapo, e um erro encaderna-se em marroquim. A história da filosofia é, em boa parte, uma história de fragmentos: os cacos dos pré-socráticos, os ensaios de Montaigne colhidos ao correr da pena, os pensamentos que Pascal deixou soltos, os aforismos com que Nietzsche preferiu o relâmpago ao tratado. A forma breve não é filosofia menor; é, às vezes, a filosofia no seu ponto de maior tensão, quando toda uma visão do mundo se comprime numa sentença. Por isso este livro não desdenhará o texto de Jairo por ser “apenas” um texto de rede social, nem o inflará por trazer a assinatura de um professor. Tomá-lo-á pelo que é: uma profissão de fé metafísica sobre a mente — lúcida, compacta e sincera —, oferecida em público por quem sabe o que diz. O ofício de quem comenta começa aqui: em receber a frase alheia com mais cuidado do que um encolher de ombros, e menos vaidade do que uma conquista.
| Número de páginas | 86 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 115g |
| Idioma | Português |
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